Empresas não alimentícias também buscam espaço no mercado árabe

Os alimentos são o principal item da pauta exportadora brasileira para os países árabes, mas há espaço também para outros produtos nesse mercado consumidor. De ferramentas a produtos de beleza, empresas do Brasil buscam vender suas mercadorias para o Oriente Médio e nações próximas, usando como base os Emirados Árabes Unidos.

Uma delas é a Tramontina, empresa de utensílios e ferramentas gaúcha com escritórios em mais de 15 países. A empresa, que vende seus produtos no país desde a década de 1990, montou um centro de distribuição próprio nos Emirados Árabes em 2013 e acabou de inaugurar uma nova instalação, no complexo industrial de Dubai.

O mercado do Oriente Médio, que também inclui o subcontinente indiano, responde por 7% a 10% das exportações da empresa. Aproximadamente 1,2 mil produtos são vendidos pela empresa gaúcha no mercado árabe e sul asiático, entre eles talheres, panelas, ferramentas de construção e móveis.

Alguns produtos fazem sucesso, como a faca de cortar tomates, que é curva como uma cimitarra árabe; um martelo que tem mais de 100 mil unidades vendidas por ano apenas para uma rede atacadista da Arábia Saudita; e uma pá que tem vendas anuais de 350 mil unidades para esse mesmo revendedor.

Segundo um dos executivos da empresa, baseado em Dubai, entrar no mercado árabe com um produto que não seja alimento ou alguma commodity (bem primário com cotação internacional) pode ser difícil. “O Brasil não é conhecido aqui pelo desenvolvimento tecnológico. Quando você vem com um produto manufaturado, em vez de uma commodity, é diferente. Então, uma coisa que nos ajuda muito a concretizar relacionamentos com esses grupos [árabes] é levar um pessoal para o Brasil, para conhecer as fábricas”, explica Paulo Feyh.

Eduardo Cansan, outro executivo da empresa, diz que é preciso que o Brasil trabalhe melhor sua imagem no exterior, para facilitar a negociação de seus produtos em países estrangeiros. “O Brasil não consegue mostrar quem realmente é. Nós [da Tramontina] sofremos também. Somos bem vistos, mas é sempre um produto brasileiro. O europeu chega aqui e tem mais facilidade, só porque tem um Made in Germany [feito na Alemanha] ou Made in Italy. A imagem do Brasil tem que ser mais bem trabalhada”, defende.

A Weg, especializada na fabricação de motores e outros tipos de máquinas, investiu na instalação de um escritório comercial também em Dubai. No segmento de cosméticos e perfumaria, a Boticário buscou uma estratégia de varejo próprio e hoje conta com quatro lojas no país árabe, além de vendas online.

Há ainda empresas que não fincaram o pé nos Emirados, mas já vendem seus produtos para importantes distribuidores do país, como a Brazilian Secrets Hair, a Sweet Hair e a Embelleze.

De olho no mercado árabe, cerca de 30 empresas brasileiras de produtos de beleza e cosméticos participam do Beautyworld Middleast, principal feira do segmento no Oriente Médio que abriu ontem (5) e se encerra amanhã (7).

“O Brasil é reconhecido principalmente por seus produtos capilares. Mas temos empresas de diversas categorias que buscam o mercado não só dos Emirados Árabes. Muitos vêm aqui buscar os distribuidores que atendem a toda a região. Todos eles vão procurar os grandes distribuidores, porque são eles que vão fazer com que os produtos cheguem nos pontos de venda”, diz a gerente de Negócios Internacionais da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), Gueisa Silverio. “Mas esse é um mercado bem exigente e cada um dos países se comporta de uma determinada maneira”.

* O repórter Vitor Abdala e o fotógrafo Marcelo Camargo viajaram a convite da Apex-Brasil.

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